Saudações Leitores!

Hoje nós temos aqui no blog mais um pouco da minha querida literatura nacional! O autor Luís Maldonalle me proporcionou outra vez uma viagem por sua escrita, coisa que aprecio desde a primeira vez que li algo dele. Então sem mais delongas, vamos ao que interessa!


Maldonalle, Luís. Com o Sangue Alheio. Lura Editorial, 2016. 160p.
Nota: ✩✩✩

Sinopse: Um escritor atormentado pelo horror do sucesso, com sangue em suas mãos. Uma tragédia encimada em remorso, alavancando o pior da alma humana em direção à uma armadilha. Ódio, e uma inabalável sede de vingança, espreitando como olhos na escuridão. O trágico e recente passado de volta à sua porta.

Neste mais novo lançamento, Maldonalle novamente deixa o sobrenatural de lado e dá lugar “ao recorrente e ás vezes torto caminho conduzido com o trejeito humano” e nos leva a conhecer Michael Blake, um escritor outrora fracassado, mas que por uma ironia do destino se torna o nome do maior Best Seller da atualidade.
Oitenta milhões de exemplares vendidos. É, aquilo era realmente para poucos. Nem em seu sonho mais otimista poderia prever algo assim.
Tudo acontece após ele presenciar a morte de uma garota em um vagão de trem. Um suposto terrorista invade o local, com bombas pelo corpo e ameaça a todos. Em um dado momento ele pega Theresa como refém, uma jovem bonita e terna, e ao final acaba dando cabo da vida da garota e sendo morto por um policial chamado Mendes. Depois de tantos manuscritos engavetados, Michael publica um livro chamado Sangue sobre os Trilhos, que suponho eu seria um relato do que aconteceu naquele dia no, como foi chamado, “Vagão da Morte”, mas o autor não deixa claro o conteúdo do livro.

Mais à frente encontramos George, o irmão de Theresa, amargurado pela perda da irmã que tanto amava, resolve assim fazer um plano de vingança. Alguém precisava pagar pela morte dela, o terrorista já estava morto, porém para ele isso não bastava. George então, ele sai à procura dos vivos que de alguma forma em sua cabeça estão se aproveitando da morte de sua irmã. Seu ódio está direcionado para várias pessoas, mas a maior concentração está em Michael, o escritor-aproveitador que se tornou uma estrela às custas do sangue de sua irmãzinha.

A narrativa a priori parece simples, e de fato seria se o autor não tivesse de forma brilhante incrementado toda a história contextualizando o enredo com situações relativas a cada personagem. É chocante entrar na vida de Michael e ver por tudo que ele passou até o dia da chegada de seu sucesso.

Os dramas familiares retratados são de uma linguagem forte, ora vulgar, mas muito verdadeiros. Histórias que batem de frente com o leitor, por saber que há mais verdade naqueles fatos do que ficção. E foi esse um dos pontos, em minha opinião, mais fortes do livro, a ficção com um quê de realidade que a cada página se torna mais verossímil.

O ápice da história para mim se encontra no capítulo “Uma Bala para os dias Sombrios”, caramba que capítulo! Simplesmente adorei! E posso dizer que tem mais sangue nele do que no resto do livro inteiro “Tiveste sede de sangue, e eu de sangue te encho” rs. Eu reli este capítulo três vezes, e em todas elas fiquei simplesmente muda diante dele. É chocante, forte e brutal.

Durante a leitura me senti como uma jovem padawan ao ler tantas referências ora inteligentes, ora engraçadas, ao mundo geek. Maldonalle brinca com as palavras e têm uma escrita cheia de analogias que só poderiam sair da cabeça fértil de um escritor:

“O cabelo tão impecável quanto um texto de Hemingway”

Uma coisa que eu acho que poderia melhorar no livro em alguma próxima edição seria a forma como os eventos ocorrem. Em alguns capítulos acontecem eventos distintos, mas se seguem em parágrafos corridos e isso acaba deixando o texto um pouco confuso para quem não está habituado. Talvez os parágrafos poderiam ser separados por uma linha ou asterisco centralizado, fazendo assim uma maior distinção dos acontecimentos.

Eu confesso, que imaginei outro desfecho, Maldonalle inicia o livro com uma brutalidade que deixa o leitor até tonto, porém o livro termina mais ameno. Mas isso não desmerece em nada a história, o final é ótimo, eu fiquei muito contente pois me surpreendeu! Eu pensava que sabia exatamente como terminaria (alguns desfechos de livros do King passando pela minha cabeça), mas foi diferente! Me pegou de surpresa como um balão que estoura na boca de quem o enche (hahahá, essa onda de analogias está me pegando). E nas poucas páginas finais vemos um misto de: traição, angústia, dor, perda, ganância, sangue, morte e amor. 

Eu recomendo a leitura, é um livro rápido e fluido, sem enrolações, nos faz entrar na história, e traz tamanho envolvimento com o leitor que a única vontade durante a leitura é de chegar a última página! Escrever metade dele num celular (como o próprio Maldonalle diz ter feito) é um feito e tanto, mas finaliza-lo com esta qualidade na história e na escrita é um feito maior ainda! Mérito para o autor! \m/


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Outros títulos:
O Coração de Gina Hall - Conto ( Comentário AQUI)


Carpe Diem!


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